Crédito da Foto: Montagem
Encontro na comunidade quilombola Lagoinha de Baixo, em Chapada dos Guimarães, vai compartilhar informações sobre a qualidade da água e ouvir moradores sobre mudanças no córrego, saúde e proteção ambiental.
Água é vida, memória e parte da história de uma comunidade. É com esse olhar que o Projeto “Qualidade da Vida e da Água” vem acompanhando as condições ambientais do Ribeirão Lagoinha e de sua bacia, em Chapada dos Guimarães (MT).
Desenvolvido pela Associação Ecovila Morro Velho do Lagoinha, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (4 estudantes) e do Mestrado em Recursos Hídricos (1 mestranda). O projeto conta ainda com fundamental parceira do Ministério Público, que disponibilizou recursos por meio do Banco de Projetos. O projeto aproxima ciência e conhecimento comunitário para compreender as mudanças que vêm acontecendo na região, conectando sociedade civil, universidade pública e a comunidade quilombola Lagoinha de Baixo.
Desde agosto de 2025, a equipe realiza visitas, coletas de água, análises laboratoriais, atividades de educação ambiental e encontros com moradores. O monitoramento inclui pontos do Córrego Lagoinha, da comunidade Lagoinha de Baixo e do Córrego Glória, em diferentes períodos do ano.
Os estudos já identificaram alterações importantes na qualidade da água. Análises realizadas em quatro campanhas apontaram resultados acima dos padrões utilizados para avaliação de rios de Classe 2 em parâmetros como turbidez, cor, fósforo total e presença de Escherichia coli (E. coli).
Os dados reforçam a importância de continuar acompanhando o córrego, investigando as causas de sua degradação e ampliando o diálogo sobre os impactos das atividades desenvolvidas na região.
Comunidade também faz parte da pesquisa
O projeto entende que analisar a água em laboratório é apenas uma parte do trabalho.
Quem vive no território também possui informações importantes.
Moradores acompanham o córrego há muitos anos e podem contar como era a água no passado, quais mudanças perceberam, como utilizavam o rio e quais problemas passaram a observar.
Por isso, no dia 22 de agosto, será realizado um novo encontro na Comunidade Quilombola Lagoinha de Baixo. no quintal do seu Eurico e Dona Maria. As 16:30
Durante a atividade, serão apresentadas informações sobre o projeto, qualidade da água e agrotóxicos. A comunidade também será convidada a participar de uma escuta sobre as mudanças percebidas no córrego.
Entre as questões estarão a relação dos moradores com a água, possíveis mudanças de cor, cheiro e aparência, preocupações relacionadas ao uso de agrotóxicos, relatos de possíveis sintomas após situações de exposição e as medidas que a população considera necessárias para recuperar e proteger o córrego.
A atividade também pretende ouvir uma pergunta fundamental:
O que a comunidade espera do poder público e do Ministério Público para proteger as águas da Lagoinha?
As respostas serão registradas e ajudarão a ampliar o conhecimento sobre a realidade vivida pela população.
Ciência que escuta as pessoas
Um dos diferenciais do Projeto Qualidade da Vida e da Água é justamente unir dados científicos e conhecimento de quem vive no território.
O objetivo não é apenas descobrir o que está acontecendo com a água, mas contribuir para que as informações produzidas possam ajudar na proteção ambiental, na conscientização e na busca de soluções.
O projeto seguirá com o monitoramento, análises laboratoriais, atividades educativas e encontros comunitários.
Porque cuidar da água também significa cuidar das pessoas, da história e do futuro da Lagoinha.
Projeto Qualidade da Vida e da Água
Executores: Associação Ecovila Morro Velho do Lagoinha e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT/DESA/PPGRH)
Apoio financeiro: Ministério Público de Mato Grosso
Autor: Alô Chapada
Data: 23/08/2026