Crédito da Foto: PJC/MT
Uma simples entrega de intimação virou cenário de guerra na zona rural de Chapada dos Guimarães. Nesta quarta-feira (21), a Polícia Civil prendeu quatro pessoas acusadas de formar uma milícia armada para invadir propriedades. A operação no distrito de João Carro resultou em troca de tiros imediata. O saldo do confronto deixou um investigador e um dos invasores feridos.
O caso começou quando um idoso de 68 anos procurou a delegacia. Ele relatou que homens armados renderam seu caseiro e tomaram sua propriedade à força. O delegado Bruno Barcellos ordenou que uma equipe fosse ao local para intimar os ocupantes a prestarem esclarecimentos.
A recepção hostil
Os policiais não encontraram diálogo ao chegarem à porteira. Assim que as equipes se identificaram, os invasores abriram fogo contra as viaturas. A resposta policial foi instantânea.
Durante o tiroteio, um policial civil acabou atingido. Um dos suspeitos também foi baleado. Apesar da tensão, equipes de resgate socorreram ambos rapidamente. O agente recebeu atendimento em Chapada dos Guimarães, enquanto o suspeito ferido foi levado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Nenhum deles corre risco de morte.
Cerco e prisões
A ação desarticulou o grupo no ato. Um dos envolvidos, que estava dentro da casa com uma pistola e acompanhado da esposa, rendeu-se no local.
Outros dois integrantes tentaram escapar. Eles usaram uma caminhonete para fugir pela rodovia MT-251. O plano falhou. A Polícia Militar montou um bloqueio na região do Rio dos Peixes e interceptou o veículo, prendendo a dupla.
A falsa legalidade
Os detidos tentaram usar a burocracia como escudo. Eles alegaram possuir um processo de regularização fundiária no Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso). A investigação derrubou essa versão rapidamente. O delegado Barcellos confirmou que não se tratava de disputa legítima, mas de uma associação criminosa especializada em tomar terras alheias.
Barcellos elogiou a reação da equipe diante do ataque surpresa. “A atuação firme e técnica dos nossos policiais civis foi fundamental para cessar a ação criminosa e impedir a continuidade das atividades desse grupo”, destacou o delegado.
Os quatro suspeitos responderão por esbulho possessório (invasão), associação criminosa armada e tentativa de homicídio.
Para entender melhor
O que é esbulho possessório? No “juridiquês”, é o crime de invadir terreno ou edifício alheio com violência ou grave ameaça. Quem pratica esse ato busca tomar a posse do imóvel “na marra”, expulsando o dono ou ocupante legítimo.
Qual a diferença para associação criminosa? A lei define associação criminosa quando três ou mais pessoas se unem especificamente para cometer crimes. Neste caso, a polícia identificou que o grupo se organizou, inclusive com armas, para a prática sistemática de invasão de terras, agravando a pena.
Autor: Conexão MT
Data: 22/01/2026